PREVENÇÃO DE LESÕES LIGAMENTARES

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Os ligamentos são estruturas resistentes,

entretanto, pouco elásticas, formadas por tecidos conjuntivos fibrosos, os quais possuem a função de unir dois ou mais ossos estabilizando e protegendo as articulações do corpo, de modo a evitar o deslocamento dos ossos agindo, assim, como amortecedores.

Além disso, transmitem informações para a medula e para o cérebro e, ainda, auxiliam na conservação e fixação local de muitos órgãos internos, como a bexiga, o útero e o diafragma. A despeito de serem formados por tecidos semelhantes aos tendões, estes, diferentemente dos ligamentos, são estruturas que conectam os músculos aos ossos e, por sua vez, os ligamentos unem dois ou mais os ossos.

Os ligamentos trabalham em conjunto com os meniscos, e frequentemente nas lesões agudas, ocorre comprometimento de mais de uma estrutura. Nas lesões de ligamento podemos observar estiramento com ou sem instabilidade da articulação envolvida ou ruptura do mesmo. Essas lesões acontecem muito comumente em atividades esportivas, quando o pé está fortemente apoiado no chão e a perna sofre uma rotação brusca por exemplo.

Quando lesionados sofrem alterações estruturais classificadas de acordo com o grau de acometimento em:

Grau I: pequenos feixes de fibras são rompidas. Diagnóstico, avaliação e tratamento, não apresentam grande dificuldade. A dor do paciente pode ser reproduzida quando ‘’testamos’’ o ligamento através de manobras específicas.

Grau II: maior quantidade de feixes de fibras são rompidas, com isso outras estruturas intra-articulares podem ser comprometidas. Diagnóstico, avaliação e tratamento, são mais difíceis devido acometimento de estruturas adjacentes.

Grau III: ruptura total do tendão. Dor e incapacidade podem ser imediatas. Dependendo das condições ou necessidades do paciente opta-se pelo tratamento conservador ou cirúrgico. No caso de atletas pela necessidade de recuperação completa e uso intensivo das estruturas quase sempre a conduta cirúrgica está indicada.

 

O Taekwondo é um esporte no qual se utilizam prioritariamente as pernas para atacar o adversário, com uma variedade de chutes (curtos, longos, baixos, altos, frontais, laterais, etc). Durante o treinamento e luta de Taekwondo, o atleta sofre impacto repetitivo nas articulações do joelho devido à grande solicitação desta articulação. Caso a condição física não seja a ideal (algum evento de lesão ou indicio de dor) o desempenho do atleta é prejudicado, sendo seu rendimento baixo no treinamento e nas competições.

A realização diária de movimentos repetitivos com sobrecarga de treinos e a falta de preparo físico e proteção adequada a esses atletas, que vem sofrendo lesões, podem causar danos as suas estruturas musculares, articulares e ligamentares. Lesões não tratadas ou tratadas de maneira inadequadas são as maiores causadoras de recidivas de novas lesões, fazendo com que o atleta e a equipe tenham um grande desgaste até que este lutador esteja apto para retornar às competições.

Sabemos que há um risco significativo de ocorrência de lesões em atletas praticantes de artes marciais, sendo vários os como fatores identificáveis de risco desde a falha no uso de equipamentos protetores à falta de experiência do atleta.

Observa-se ainda que a qualificação, a supervisão e a atitude dos treinadores e árbitros, assim como a presença de um ambiente de treinamento ou competições seguros e regulamentos rígidos em competições são fatores críticos na epidemiologia de lesões nas artes marciais.

Vemos também como fatores determinantes para essas lesões a sobrecarga de treinamento que gera cansaço e assim uma aplicação errada das técnicas específicas, a competição interna entre membros da mesma equipe de treinamento que gera disputa dentro do treino e falta de preparo de alguns instrutores e professores que não observam nem limitam a aplicação das técnicas nos treinos.

Existem sete mecanismos básicos pelos quais um atleta pode sofrer lesão: 

– Contato: a origem deste tipo de lesão é o contato traumático. São exemplos tanto os choques de um atleta com o outro, como do atleta com alguma superfície.

– Sobrecarga dinâmica: descreve aquela lesão resultante de uma deformação causada por tensão súbita e intolerável. A ruptura aguda de um tendão ou um estiramento muscular é frequentemente resultado de uma sobrecarga dinâmica.

– Excesso de uso ou sobrecarga: resultado de um somatório de tensões ou pressões repetidas e não resolvidas em determinado tecido. Frequentemente esses mecanismos são observados no contexto da aplicação de cargas cíclicas ou do excesso de treinamento. Cerca de 30% a 50% de todas as lesões esportivas estão ligadas ao uso excessivo.

– Vulnerabilidade estrutural: pode contribuir para fadiga e eventual insuficiência / falha do tecido, secundária à sobrecarga focal, tensão ou estresse excessivo.

– Falta de flexibilidade: pode levar a desvios no contato articular, iniciando, portanto um ciclo de degeneração articular. Um músculo encurtado, em pré-carga, fica mais vulnerável à tensão.

– Desequilíbrio muscular: é um mecanismo inter-relacionado com o da falta de flexibilidade, e resulta principalmente de um condicionamento e utilização musculares impróprios. Padrões abusivos repetidos de excesso de uso do músculo durante uma atividade esportiva promovem desequilíbrios musculares secundários à fadiga muscular, micro lacerações, formação de cicatrizes, e má adaptação funcional. Um músculo fatigado fica mais vulnerável à tensão.

– Crescimento rápido: é um mecanismo observado na criança ou adolescente em crescimento que pratica esportes. Enfatiza o desequilíbrio e flexibilidade muscular coincidente com as mudanças nas proporções do esqueleto durante a maturação.

Alguns estudos demonstram pouco interesse dos atletas em um programa de preparação física específico, que vise à prevenção de lesões no esporte, mas que aqueles que participaram obtiveram bons resultados. A preparação específica tem o objetivo de fortalecer os grupos musculares dando maior apoio, suporte e flexibilidade e consequentemente maior proteção para as articulações.

A periodização do treino é fator essencial para a prevenção de lesões nos atletas, devendo ser organizado pelo preparador físico em ciclos de acordo com a capacidade física do atleta e proximidade com as competições. Em cada ciclo deve ser utilizado um método de fortalecimento muscular, sempre usando a variabilidade para dar um novo estímulo e continuar o trabalho; bem como alternância de intensidades de treino.

O treino da força é vital em qualquer programa de prevenção de lesões, pois é elemento base da velocidade, da potência e do controle corporal. Nem sempre é possível encontrar uma relação direta entre a força muscular e a performance do atleta, mas sabe-se que os movimentos específicos da luta necessitam de elevados níveis de força para se expressar. Os objetivos gerais do treino da força em atletas de maneira geral visam o aumento da potência muscular durante as fases altamente intensas do treinamento e da competição, diminuição da perda de força atribuível à fadiga, recuperação rápida dos níveis de força após o treino e prevenção de lesões.

O treinamento de força atualmente exerce um papel importante no condicionamento físico geral, na performance esportiva, na reabilitação de lesões e no aumento da massa muscular. Para tanto deve-se obter o fortalecimento da musculatura para hipertrofia e ganho de força visando sempre a melhora da dor e da sensação de frouxidão (falseio) das articulações, baseados nas várias técnicas de treinamento com pesos na sala de musculação e de acordo com as individualidades e especificidades do atleta.

A propriocepção diz respeito às informações e mecanismos que contribuem para o controle postural, estabilidade articular e para diversas sensações conscientes. As estruturas base dessa capacidade designam-se por proprioceptores e desempenham um papel determinante na capacidade de o atleta efetuar de forma segura, eficiente e tecnicamente ajustada os diferentes gestos desportivos.

O treino proprioceptivo tem vindo a assumir um papel decisivo como fator integrante dos programas de prevenção de lesões. Os exercícios baseiam-se em situações onde a variabilidade e a instabilidade são dois fatores constantes, pelo que se sugere que decorram em superfícies móveis, com diferentes graus de dureza, com apoio unipodal e ainda com e sem referências visuais.

Atitudes preventivas no esporte e na vida diária podem evitar a incidência de lesões ligamentares. Dois estudos comparativos feitos com atletas adolescentes do sexo feminino mostraram que a preparação física com pliometria, feita na pré-temporada, diminuía em até 88% a chance de lesões no joelho no futebol e que atletas de vários esportes que não realizavam preparação física tinham 360% mais chance de sofrer lesões não causadas por impacto.

Assim, acredita-se que a força seja fundamental à estabilidade articular, estando associada à velocidade ou não. Outro ponto fundamental é que músculos, mesmo fortes, mas sem harmonia, também podem ser indicadores de instabilidades e favorecerem a ocorrência de lesões. Deste modo, os exercícios mais indicados para desenvolver um bom equilíbrio muscular são os que reproduzem movimentos naturais, como o agachamento, o leg press e levantamento terra, pois há solicitação, de forma equilibrada, de todos os músculos que envolvem a articulação.

O bom uso do planejamento de treino é também essencial para evitar lesões. A falta de recuperação muscular, sujeitos submetidos a cargas altas e prolongadas de treinamento, podem ser fortes indicativos para uma lesão de uma estrutura saudável ou de uma já submetida à cirurgia.

A fisioterapia é fundamental para tratar as lesões ligamentares, especialmente no caso de atletas, que precisam retomar à performance anterior. As sessões de fisioterapia envolvem, principalmente, controle da dor e edema, correção biomecânica e estabilidade de movimentos, através de treinamentos de força e equilíbrio, além de exercícios que auxiliem na prevenção de futuras lesões.

Em casos de rupturas totais ligamentares com sinais de instabilidade, o paciente será submetido a um protocolo de reabilitação com duração maior, sendo que em alguns casos após três meses o paciente já pode correr e, em quatro meses, saltar. O retorno à atividade esportiva pode acontecer entre seis e oito meses e vai depender do quadro de evolução individual de cada paciente e da necessidade ou não de intervenção cirúrgica.

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Mostrando 2 comentários
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    Claudenir Zeri
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    Poderia postar mais noticias, tais como técnicas de alongamento, e/ou noticias em geral sobre o taekwondo. Parece que essa aba foi abandonada. Obrigado…

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    joe
    Responder

    Olá Claudenir, tudo bem?

    Pretendo colocar outras notícias, mas como eu toco esse site sozinho, fica um pouco difícil. Tenho uma matéria legal sobre pane antes do torneio que logo vou postar 🙂

    Abs

    Joe

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